Omar Khouri


"Meus dois trabalhos constantes desta exposição, que versa sobre Dinheiro, foram concebidos na cidade de Lisboa, em 2015, e especialmente para a mostra. Traduttore Traditore faz alusão ao fato de o Brasil–República ter adotado – e não foi o único país a fazê-lo - o nome traduzido literalmente daquele que as Treze Colônias haviam assumido, com a independência, no século XVIII, porém sem alcançar o mesmo destino de grandeza econômica e poder, no Planeta – daí, Tradutor Traidor. Em sua pose estampada na nota de 1 dólar, George Washington vira-se levemente para a direita de quem olha, sendo que na nota de 1 cruzeiro o Almirante Tamandaré se volta para a esquerda. A nota estadunidense traz a imagem da estabilidade das instituições, enquanto que o cruzeiro nem mais circula. Na arte brasileira, cédulas têm sido tema para muitos: Décio Pignatari, Cildo Meireles, Paulo Miranda, entre outros. No Monumento ao Dinheiro reúno ditos das mais diversas procedências e que têm tido curso no Brasil, os quais traduzem o elogio e o descaso pelo dinheiro. Geralmente, trata-se de ditos populares: coisa de velhos, que tentam impingir suas crenças aos mais novos ou, se se quiser, quase sempre, coisas de uma sabedoria popular, conservadora. Um monumento que poderia ser ainda bem maior e, certamente, em qualquer das realidades idiomáticas existentes."
Omar Khouri, 2016